No dia
3 de novembro, terça-feira (mais precisamente AMANHÃ), haverá a
Noite de Autógrafos da Edição 2008 do Livro "Poemas no ônibus e no Trem". O evento inicia às
20h, no
Memorial do Rio Grande do Sul, durante a
55ª Feira do Livro de Porto Alegre.
Claro que só escrevo isso aqui porque estarei lá. Sim, para os que não sabem, um haikai meu circula nas linhas de ônibus da cidade há alguns meses.
Lembro do dia em que recebi a notícia por email, a de que estava entre os 49 selecionados. Minha vontade era de sair contando pra todo mundo, tanto que muitas pessoas já vieram me contar e ainda me contam que viram meus três versos em algum ônibus da Capital. Eu ainda não peguei nenhum ônibus com o poema, infelizmente.
Porém, uma coisa estranha, da qual eu já desconfiava, ainda acontece. Tem gente que não acha
o que escrevi um poema, digamos, digno. Vem falar comigo dizendo que viram meu
"poema" (o tom de voz é a versão falada das aspas) por aí esses dias. No começo isso me abalava de certa forma, e eu mesmo dava um tom de desprezo à minha própria obra quando mencionava, envergonhado, que "ah, mas são só três linhas..."
Mas agora não. Essa noite de autógrafos, mesmo que ninguém vá, é uma vitória pra mim. Primeiro porque eu nunca tive nada publicado em lugar algum. E segundo, o mais importante, é preciso reconhecer a dificuldade de um haikai bem feito. Haikai não é só uma frase de efeito com uma rima bobinha, haikai não é coisa de se botar no twitter e ser retuitado com um "hahaha". O haikai brasileiro, mesmo com esse jeitão mais descontraído (vide Millôr e Leminski), não se assemelha em qualidade literária a um haikai dentro das normas tradicionais criadas lááá do outro lado do mundo. E olha que eu gosto do Millôr e do Leminski.
Não vou falar de todos os "quesitos" técnicos necessários. Mário de Andrade já dizia que "um conto é tudo que o autor chamar de conto". Essa frase serve pra qualquer estilo literário. Hoje em dia não há mais limitações, regras. Pode se ensinar a escrever, mas não a escrever bem. Se o cara escreve qualquer bobagem e chama de poesia, não serei o primeiro a discordar.
Mas entre métricas, rimas e temas, o haikai possui algo a mais. É preciso dizer muito com poucas palavras. Pegar de onde não tem e colocar onde não cabe. O haikai é quase uma fotografia, de um momento único. E não é tão simples assim de fazer.
Respeito os haikais mais "contemporâneos" (olhaí as aspas de novo), mas a beleza do haikai clássico vai além das especificidades que separam os estilos. O haikai é um desafio ao escritor, que precisa colocar tanta informação, e com tanta qualidade literária, em tão pouco espaço. E também é um desafio ao leitor, que precisa tirar dali, daqueles três versos, uma interpretação. Ou pelo menos um sentimento (nem que seja só um "hahaha" virtual).
E é por isso que vou com certo orgulho pra tal noite de autógrafos. Mesmo que ninguém apareça. Vou me divertir sonhando com algum desconhecido me cumprimentando e dizendo "Ah, então é você! E quem é aquela moça, hein?"
Se vocês tiverem como ir lá, por favor, compareçam.
E sem desembaraço.