"Estão vendo? De que era mesmo que eu estava falando? Ah! Era dos papéis escritos, extraviados, esquecidos. Quem sabe lá como seriam bons! Quanto a este, que tive o cuidado de não perder, o melhor será colocar-lhe no fim os três pontinhos das reticências...Ninguém sabe ao certo o que querem dizer reticências. Em todo caso, desconfio muito que esses três pontinhos misteriosos foram a maior conquista do pensamento ocidental..." (Mário Quintana)
Sabe, eu leio uns textos antigos meus, seja do Enfins, seja do extinto Minigravador, e é incrível o número de reticências que eu usava. Poucas frases terminavam com ponto final. Acho que as reticências davam um ar de vaguidão, às vezes de um modo literário, e às vezes porque eu nunca fui de dizer frases muito concretas. Ou então as reticências eram um sinal de incerteza, ou de quem fala uma coisa da qual se arrepende no mesmo segundo que termina de falar... sabe?
Reticências eram um hábito por aqui. Hoje, relendo os textos, me imagino contando a história de outro jeito, apenas omitindo dois pontos do final de algumas frases. Ainda acho que aqueles três pontinhos possuem uma carga literária muito forte. Não tenho certeza do porquê, e se alguém tiver uma teoria tão absurda sobre as reticências, favor apresentá-la nos comentários.
E como eu não pensei em nenhuma forma reticente de terminar esse texto, ponto final. Que comece a discussão literária. Ou não.